segunda-feira, 21 de junho de 2010

Fé e coisas simples

Fim de semana tivemos retiro de Remadores.
Passamos por momentos tensos, de muita pressão entre o grupo. O fato é que é sempre muito difícil lidar com pessoas.Sempre, sem exceções!

Ai me questiono, como pode alguém ser ateu? Existem coisas que simplesmente não têm explicação, somente um ser muito maior para explicar... seja ele quem for. Acho perfeitamente aceitável que alguém escolha ser sem religião, é muito mais fácil viver com a sua própria coerência que viver sobre as regras de uma igreja. E como isso é difícil, tentar viver sobre determinados preceitos... por mais que eu os ache corretos, viver sobre tais regramentos podem ser uma traíção contra o próprio ser.
Se santo, ou no mínimo, coerente com aquilo em que se acretida, é muito difícil. Demais.
Não concordar e não aceitar nenhuma religião é absolutamente fácil. Perder a fé é triste, mas viver sem ela, é como viver sem razão. É preciso ter fé, mínima que seja, no que for. Não há homem que viva sem fé.
Mas viver sem Deus... é indescritível.


Por MARIA,L.P.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Reencontro

Tudo acabou em 08 de dezembro de 2006.

Geralmente as pessoas começam suas histórias pelo começo, mas a data final neste caso foi muito importante.

No início eram 35 meninas e um guri. E tudo era festa... como nos relacionamentos amorosos, no começo as coisas são sempre bonitas. Mas a rotina e o convivio com o diferente sempre destrói as coisas.
Éramos crianças, sem exeções. Tinhamos sonhos de crianças, almejavamos um futuro tal qual as crianças. Mas nos achávamos gente grande.

Lembro bem do primeiro dia no Colégio novo. Eu me sentia muito importante, afinal, havia feito a escolha da minha vida... ao trocar de escola, optando por um ensino privado, eu sabia exatamente o que aquilo significa para mim e pra minha família: eu me comprometia financeiramente com o meu futuro, pois agora estudar passava a ser um compromisso profissional. Quando a professora Rosângela nos perguntou porque havíamos escolhido o Curso Normal, eu disse "escolhi ser professora porque acredito na educação, só ela pode mudar a sociedade" e fiz das minhas palavras o meu próposito em lá estar.

Desde o início eu sabia o espaço onde estava me metendo, que não seria fácil ser eu mesma. E não foi! Lembro ouvir de algumas colegas "eu quero ser professora por que minha mãe é professora" ou "eu adoro crianças". Jamais pensei dessa forma, sempre acreditei na educação como instrumento de mudança, e que de outra forma não poderíamos ser instrumentos da mudança.

Durante os quatro anos como "normalista", vivemos muitas coisas, experimentamos novidades, quebramos a cara inúmeras vezes, contamos verdades, contamos mentiras, contamos causos. Muitas coisas aconteceram, pessoas entraram e saíram das nossas vidas, brigamos, gritamos, choramos, brincamos, cantamos, divagamos. Momentos não faltaram, pois, afinal, quatro anos na vida de um adolescente demora uma eternidade a passar. É incrível,porque olhamos para trás com certa melancolia. Mas quanto maior a nossa inocência frente a vida, mais fácil é encará-la. Entretanto, boa parte da minha inocência de menina, corrompi durante essa fase da minha vida. Até porque nunca me senti de fato como parte da turma, como sujeito no conjunto... eu era diferente! Minhas opiniões nunca combinaram com o tôdo, eu era sempre do contra. Claro, que algumas vezes, eu me posicionava contra pelo simples prazer de ver o conflito ser gerado (faz parte... rsrsrs), mas geralmente eu não me via representada, eu não me sentia "uma delas". Isso sempre me encomodou muito, até porque os maiores conflitos estavam em mim, e não na turma.

Hoje entendo meus motivos de conflito, percebo porque eu me sentia diferente. Eu sou diferente... segui meu caminho, como todas, mas eu não queria a mesma estrada que tantas tomaram, ela não era e não é pra mim... minha estrada é outra, mesmo que eu a tenha que abrir, com as minhas mãos. As experiências que tive oportunidade de viver durante a graduação me trouxeram grandes reflexões sobre as minhas experiências normalistas e sobre a minha própria existência. Ocupar o mesmo espaço de pessoas que sei que são diferentes que eu, não vai me tornar igual ou superior à elas. Devo ocupar o meu próprio espaço, mesmo que ele não esteja dedicado a mim, ou mesmo que as pessoas nem saibam que ele existe... eu tenho o meu espaço na sociedade, o meu espaço na vida!

Não sou mais uma menina boba e inocente no auge dos seus 15 anos. Essa menina se foi, já era, cresceu. Isso acontece com todos nós, e não podemos negar isso... Não somos as mesmas pessoas que éramos, em 2003, em 2004 ou em 2006. Graças a Deus, não somos o passado. Certamente ele, de alguma forma, nos alimenta, mas não podemos depender, nos sustentar dele. Melancolia faz bem, mas só pra dar um gostinho, deixar com água na boca! Mas o tempo faz com que nos tornemos outras pessoas.


Enfim, tudo termina em uma sexta feira ensolarada, que antecedeu uma noite quente. Todas, vestidas de preto, perfumadas e maquiadas. 25 jovens e um rapaz, professores, enfim. Foi um período das nossas vidas que findou, mas outras coisas que começam imediatamente. Quando recebemos nosso título de "professoras", reccebemos a notícia do vestibular... era mais uma estrada que se abria... talvez, com diferentes curvas para cada uma de nós, mas cada uma seguiu o seu caminho.
Ao final, tudo terminou em paz... apesar de eu ter dito palavras maquiavélicas ao pé do ouvido de uma professora que eu detestava por não acreditar em mim, me arrependo de não ter feito apenas uma coisa: mostrado a bunda na cerimônia! Isso sim, seria hostórico (oooo)!!
Brincadeiras a parte, mas passei por bons bocados nessa época, e por isso não sinto falta. Nem um pouco, nem uma gota. A melancolia é bem natural, mas é outra coisa... tive momentos maravilhosos, mas não viveria nada disso novamente.

Atualmente, não estou lecionando, trabalho naquilo que gosto, mas não abandonei a educação. Sou muito feliz em meu trabalho, sei onde estou e sobretudo, sei para onde estou indo. Essas possibilidades de reencontro trazem muitas lembranças a tona, e não posso evitar pensar e reviver esses momentos.

Ainda tenho as minhas palavras do primeiro dia de aula muito frescas na mente: "escolhi ser professora porque acredito na educação, só ela pode mudar a sociedade", continuo pensando isso, e tenho isso como valor. Ser professor é uma puta responsabilidade, e é preciso muita consciência para embarcar nesse desafio.

Vou esperar o tal reencontro da turma e ver o que acontece.
Se eu voltar viva, escrevo algo sobre. Se não, talvez alguém leia esse blog e tenha as respostas dos meus conflitos. Ou não.



Por MARIA, L.P.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Por um canto apenas

Tarde chuvosa, aula...
Bate um desânimo de fazer qualquer coisa. Em dias assim, tenho apenas vontade de ficar em casa, no sofá, ouvindo música. Ainda mais nesse "clima de copa", me bate um desânimo ainda maior, uma descrença geral na humanidade.

Fica então hoje uma canção que gosto bastante, mesmo não sendo muito conhecida, dos Tebanos "Por um canto apenas"...


"Minha gente tem um jeito diferente
Quanto canta, quando sente,
Quando luta pelas ruas.

Ah, como é pobre a pobre gente dessa terra,
E eu aqui no pampa de um país
Vivendo a sombra de uma história que eu não fiz.

Talvez um dia galopando o baio
Nos potreiros vastos da imaginação
Possa meu canto não ser mais tão triste,
Como é triste o vento que assovia em contraponto com essa canção

Quem sabe um dia meu irmão
Quem dera meu povo aqui do sul possa de novo
Levantar a bandeira, refazer a nova história
E que o futuro possa se orgulhar de nós

Minha gente tem os campos na cidade
Tem no peito uma saudade
E os olhos firmes no chão

Ah, como é triste o pranto dessa gente
Que quando saem pelas ruas
São pisadas pelos cascos, pelas patas.


Talvez um dia galopando o baio
Nos potreiros vastos da imaginação
Possa meu canto não ser mais tão triste,
Como é triste o vento que assovia em contraponto com essa canção

Quem sabe um dia meu irmão
Quem dera meu povo aqui do sul possa de novo
Levantar a bandeira, refazer a nova história
E que o futuro possa se orgulhar de nós"



Por MARIA, L.P.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Dia de Santo Antônio

Em razão do dia de Santo Antônio...
Gosto bastante dessa música, e a coreografia do Ivi é ótima! Apesar de não me dedicar mais o tradicionalismo, não posso deixar de admirar o que considero de qualidade. Deixo então esse vídeo aos fiéis do santinho, e pros descrentes também, até porque vale a pena!






Feliz dia dos Namorados, feliz dia de Santo Antônio a todos!

Por MARIA, L.P.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Fomos maus alunos (?)

Ontem a noite, minha turma de Teorias de Aprendizagem realizou mais um seminário de leitura de livro. Acho sempre essas atividades um porre, mas novamente me diverti um pouco... O último relato que fiz dessas atividades, foi em relação ao livro "Sobre a sombra dessa mangueira", do Paulo Freire.

O livro vítima de ontem foi "Fomos maus alunos", de Rubem Alves e Gilberto Dimesteim.

O livro é bem legal, meio "viajandão", mas é bom. Nele os autores contam suas experiências escolares catastróficas onde, afinal, eram maus alunos! Em relação a isso, achei fantástico, porque me identifiquei muito com tais caracterizações.
Os autores faziam distinção entre os bons alunos, que tiravam boas notas, prestavam atenção e se tornaram pessoas e profissionais insignificantes e os maus alunos, que eram os que não queriam nada com nada, que bagunçavam, não prestavam atenção, a turma do fundão... como eles. Certa altura do livro, eles falam que os professores os condenaram à derrota, pois eram pessoas péssimas e nunca "seriam alguém na vida". Fiquei refletindo sobre isso, na segunda leitura que fiz do livro, pois pude tirar muitas coisas pra minha prática.

Faço meu estágio com uma turma de sexta série, em uma escola pública da região: repetentes, adolescentes rebeldes e sem futuro. Cheguei com alguns desses pré-conceitos até o primeiro diálogo com um dos meus "maus alunos", que me disse:
-Tu quer ser professora mesmo? Perguntou o guri, com cara de decepção.
-Sim. Eu gosto muito do que faço, e sou professora há um tempinho, já dei aula pra crianças. Mas porquê a pergunta?
-Nada não. Mas é que tu parece legal, só isso.

Depois disso passei a ter muito cuidado com cada uma das minhas atitudes em sala de aula. Até porque eu sempre tive noção de onde estava me metendo. Quando perguntei aos meus alunos se gostavam de História, eu já sabia a resposta... mas também sabia o que fazer frente a ela. Eis ai a grande questão!
Então ontem, cheguei no estágio, dei boa tade e disse o quanto estava com saudade dos meus anjinhos... eles todos riram da minha casa e debocharam:
-Saudades, da gente?
-Anjinhos?
-Ih sora, que papo é esse...

E deixei o assunto no ar, até a hora em que entra na sala um professor qualquer, pra dar um racado. A turma estava dividida em grupos, pra realização de um trabalho de pesquisa nos livros que levei, mas o professor entrou em um momento onde eu dava uma orientação para a realização do trabalho:
-Nossa, como eles tão calmos! Diz ele surpreso.
-Não, eles são sempre assim comigo. Respondi irônicamente.

Ele deu um sorriso amarelo e saiu. Ai uma menina me disse que na aula dele todo mundo bagunçava porque não gostavam dele, por ser autoritário e estúpido com eles.
-Ta mas na minha aula vocês também bagunçam.
-É sora, mas só um pouquinho, porque a tua aula é legal.
Fiz de conta que não fiquei surpresa com aquilo e ri. Ela insistiu.
-Sério sora! Semana passada eu vim um dia só, ai teve feriado. Essa semana eu vim hoje pela primeira vez.
-Tá, mas por que isso, tu sabe que todas as aulas são importantes, tu não pode ficar sem vir à escola. Disse eu já preocupada com ela.
-Não sora, eu não vim porque eu não tava afim mesmo. Ai eu vim hoje porque a tua aula é legal, eu gosto de vir na aula da senhora. Ouvindo isso, senti a responsabilidade.
-Mas não eram vocês que não gostavam de História? Falei em tom ameno.
-É sora, só que com a senhora não é tão chato. É mais legal!

Depois desse diálogo, seguimos com a atividade. Quando voltei pra universidade, pro tal do seminário, vim pensando no que disse o Dimensteim "Afinal, o que deu errado?". Quando os autores falam nisso, eles comparam sua experiência escolar com os profissionais em que eles se tornaram. Um grande jornalista e um renomado educador. Ai lembrei do mês de abril, de 2006... fatídica data, quando a coordenadora do Curso Normal (o tal do Magistério) da escola onde estudei me "sugeriu" que me desligasse do curso enquanto era tempo, pois eu não levava jeito pra coisa. Aquilo me resgou por dentro, pois eu sempre soube que era uma aluna ruim, mas isso não dava à ela o direito de dizer que eu não servia para ser professora. Se eu era uma aluna ruim, eu era apenas o fruto de uma escola ruim, com professores tão piores que eu... a culpa não era minha. Minha atitude mais espontânea, no auge dos meus dezoito anos foi subir na mesa e dizer:
-Eu vou terminar esse curso, nem que seja a última coisa que eu faça na minha vida. Tu não tem o direito de falar assim comigo, porque eu sou uma boa professora e sei disso, sou muito melhor que tu, e vou te provar isso no meu estágio, porque eu vou ser a melhor, e eu vou me formar e tu ainda vai te arrepender de ter me dito isso.

No dia da formatura, eu estava muito feliz, pois havia recebido a notícia de que havia passado no vestibular para História. Quando ela entregou o "canudo", me abraçou e eu disse baixinho no ouvido dela "eu não te disse, eu sou melhor que tu".

As vezes dou graças a Deus por ter sido uma má aluna. Por ainda ser assim. Faço parte do fundão, mato as aulas pras quais estou sem paciência, contruibuo quando isso me interessa, vou pro buteco quando estou afim. Estou fazendo meu trabalho de conclusão e me formo em breve na graduação. Mas não vou parar por ai... Quando eu disse que era melhor que a minha professora, eu sabia da responsabilidade das minhas palavras, apesar do ódio que eu sentia naquele momento.

A minha responsabilidade é formar maus alunos. De gente "boa" o inferno tá cheio, e o senado também! To cansada de gente politicamente correta que não faz nada de útil. Quero gente que diga o que pensa, que se expresse, que questione a ordem, seja ela qual for.
Se fomos maus alunos, tudo bem. Se fomos bons, tudo bem também. Mas o negócio é saber o que fazer com isso.
Como disse a professora Nara ontem: um médico mata o erro dele, um professor deixa os seus vivos e sequelados... os erros dos professores andam por ai. O congresso ta cheio deles.

O bom de ser mau aluno, é que temos em quem por a culpa. Mas sobretudo, sabemos o que temos de consertar!


Por MARIA, L.P.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Amenidades, e mais nada

Estava cansada daquilo tudo.
Clarissa não aguentava mais a pressão do mundo. Tinha a impressão de que o universo conspirava contra ela. Aquilo não era normal... seus planos sempre davam errado, as pessoas sempre estavam ausentes, até o clima era desconfortante.
Mas o sol brilhava naquela manhã de quinta feira, e Clarissa sabia o que fazer.
Colocou seus poucos pertences na mochila vermelha, vestiu sua jaqueta, as luvas e as botas de couro. Ligou a moto e partiu.
Olhou para trás pela última vez.
Ao partir, estaria se livrando de todo o seu passado, de todas as suas angústias e lamentos.
A sua frente, somente a estrada. Que venha o destino... novos caminhos virão, pois o passado ficou no retrovisor.


Por MARIA, L.P.