sábado, 29 de maio de 2010

Mais amenidades...

O Rato!
Acho que é o vídeo mais bonito, simples, puro e romântico que eu tive a oportunidade de ver.






Por MARIA, L.P.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Algumas perguntas

Recebi essa reflexão quando recebi uma crítica muito carinhosa. Para pensar!

"Certo dia Ricardo levou seu filho, Pedro, de quatro anos, para um passeio pela velha estrada de chão batido que levava até um paradisíaco vale, onde poderiam estreitar seus laços de pai e filho.

Na andança, passam por um pequeno açude e pedro pergunta:
- Pai, porque o peixe não morre afogado?
- Hum... Não sei meu filho - Responde o pai coçando o queixo.
A caminhada continua e logo Pedrinho volta à perguntar:
- Pai, por que a lua fica lá no céu mudando de jeito e nunca cai aqui no chão?
- A lua não cai porque... Não sei meu filho - Responde em tom amável.
- Ah! E... Porque que o avião não é feito do mesmo material da caixa preta?
- Não sei filho.
- Pai, estou te incomodando com tantas perguntas né?
- Claro que não Pedro, se você não perguntar, como é que você vai aprender."


Por MARIA, L.P.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

À sombra dessa mangueira


Ontem a noite tive uma aula curiosa, de Teorias de Aprendizagem.

Um grupo teria de ministrar um seminário sobre o livro "À sombra dessa mangueira", do Paulo Freire. Entrei na sala já pensando em sair, até porque destesto o discurso vazio do povo da pedagogia, que vomita Paulo Freire aos quatro cantos e não faz droga nenhuma com o que lê.
A professora apresentou um pouco do que o grupo possivelmente diria, e uma das colegas iniciou a fala com a biografia do cara. Na realidade ela leu tudo o que tem no wikipédia sobre o Freire, e não disse absolutamente nada. Vendo isso, alguns colegas tentaram complementar, mas também não coseguiam pois não sabiam o que dizer. Ai recomeça o discurso vazio do pedagogismo... A professora, retomou a discussão lembrando de aspectos importantes que o grupo (que deveria ter lido) não sabia, como a época em que Paulo Freire esteve exilado, sua docência na Puc/SP, seu envolvimento empírico na política do Estado como secretário de educação... Ai a professora comparou Paulo Freire a Chê Guevara, e quando ela fez isso pensei "putz, agora eu vou embora", mas falou de um lado que nenhum militante fala sobre o seu "mestre", que foi a dificuldade que Freire teve em articular o empírico com o cotidiano, com a vida real. De forma alguma ela desmereceu qualquer um destes dois ícones, mas salientou a dificuldade de ambos em fazer suas teorias tornarem-se reais.
Ai chegou a parte mais interessante datal aula, onde o grupo não falava, não contribuia, pois pelo que pude observar, dois colegas leram o tal do livro, e os outros nada. Mas tenho certeza de que serão esses mesmos que não leram, que vão sair dizendo "Paulo Freire isso", "Paulo Freire aquilo" ou "segundo Paulo Freire", com seus discursos vazios e desalinhados à prática.
De qualquer forma, a professora acabou conduzindo o seminário, que entre outras colocações, salientou a educação liberdadora. Chegamos no ponto!
O que é educação libertadora? O que queremos com isso? Como chegar lá? O que é libertar-se, afinal? Discutimos durante toda a graduação uma série de ideologias, nas quais ninguém mais acredita. Então, o que estamos fazendo na universidade? Lembrei dos muitos professores que nos dizem como devemos ser, o que devemos fazer, o professor ideal, e blá, blá, blá... e continuam seguindo métodos tradicionais de ensino, continuam reproduzindo o que viram em sala de aula há 20 ou 30 anos atrás. Uma puta hipocrisia, ao meu ver. Que droga que professor critica método x ou y, e continua seguindo essa linha? E ainda reclamam que o problema da escola básica está no professor. O professor da escola básica está ali, ouvindo os caras vomitarem pedagogismos a torto e a direito e não fazerem nada além do seu gabinete. É muito fácil pensar em uma educação para transformar a sociedade, se eu não coloco o nariz pra fora do ar condicionado do meu gabinete. Assim é fácil falar da escola, uma escola que o intelectual da academia não conhece e, não está nem um pouco preocupado em conhecer. Até porque pensar cansa, e ele está muito ocupado com o empírico, em produzir conhecimento pra jogar em cima de alguém. Reprodução, reprodução e reprodução.
A tal da educação transformadora consiste em fazer o sujeito aprender a pensar e questionar. A universidade, de uma forma geral, já foi lugar de produção de conhecimento, mas agora isso é responsabilidade apenas dos PPGs, dos nossos mestres e doutores. E o pessoal da graduação só tem que reproduzir os seus mestres, pois o estudante bom é o que diz o que o seu orientador diz, e o que pensa e questiona é subversivo, rebelde, gosta de atrapalhar a aula. E depois nossos intelectuais não querem que a escola seja mais um instrumento de reprodução e alienação.


Eduação libertadora ao acance de todos. Talvez mais um sonho, uma utopia ou uma insanidade de uma acadêmica de História.
Apenas reflexões de uma estudante qualquer.


Por MARIA, L.P.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Sou uma sonhadora nata...


"Tem dias que a gente se sente como quem partiu o morreu
A gente estancou de repente, ou foi o mundo então que cresceu.
A gente quer ter voz ativa, no nosso destino mandar
Mas eis que chega a roda vida e carrega o destino pra lá!"

(Roda Viva - Chico Buarque)


As vezes penso que sou uma sonhadora nata.

Nasci para sonhar.

E é isso o que me mata tantas vezes, pois vivo a sonhar, planejar, imaginar como seria, mas quando chega na hora, me bate um desespero muito grande, pois enfrentar o mundo real é diferente. Planejo muito, mas quando chega a hora "h", me bate o desespero, pois sei o quendo tenho a dar, e sobretudo o tanto que esperam de mim, e o mundo não pára para que eu possa colocar tudo em seu devido lugar.
A "Roda viva" chega e carrega tudo o que vê pela frente. Assim é a vida, a gente quer fazer as coisas, mas o cotidiano, a rotina e tudo mais que nos influencia diariamente, não nos permite florecer, como gostariamos.

É ruim, dói, cansa. Muito! Mas precisamos passar por isso.
A questão é comolidar com isso tudo. Mas como uma amiga me disse ontem, precisamos aprender, ir a diante e não esquecer quem realmente somos. Ai por diante, já nem sei.


É outro capítulo.


Por MARIA, L.P.

sábado, 8 de maio de 2010

Tenacidade...

A conheci há muito tempo, numa quinta feira a noite, em um bar qualquer da cidade.

A via da todas as quintas feiras sentada naquele bar. Chegava por volta das 9h, pedia uma garrafa de vinho e duas taças. Fumava o seu cigarro, servia as taças e ficava ali... depois de uma hora, duas talvez, pedia a conta e ia embora, sozinha. Sempre que alguém perguntava se ela estava acompanhada, a resposta era a mesma... esperava por alguém.

Semanas se passavam, meses, anos talvez. Todas as quintas feiras ela ia ao mesmo bar. Repetia a mesma rotina, fumava o mesmo cigarro, servia o vinho, vestia preto, sempre.

Um dia, estava no bar com alguns amigos, mas não pude conter a curiosidade e fui até ela. Aquela mulher me intrigava profundamente. Perguntei o que fazia naquele bar, pois a via há muito tempo naquele lugar: sempre de preto, com uma garrafa de vinho e duas taças. Sozinha, jamais a vi beber sequer um gole daquele vinho.

Ela me disse o que dizia a todos: estava esperando alguém. Mas quem seria? Ela sempre esperava por alguém, pedia o vinho, mas ninguém nunca aparecia para encontrá-la. A mulher misteriosa me disse que havia recebido um bilhete, há algum tempo, de alguém que pedia para encontrá-la naquele lugar, quinta feira, as 9h. Mas no bilhete não tinha assinatura, contato, data nem nada do tipo. O bilhete continha o nome dela, marcava o encontro pedindo que esperasse o remetente com duas taças de vinho.

Achei aquilo muito engraçado, e a questionei porque voltava àquele bar, se fazia tanto tempo que havia recebido o tal bilhete, e até agora ninguém jamais havia aparecido. Ela sorriu docemente e me disse:

"Não sei quando, mas sei que ele virá!"


Retribui o sorriso e me despedi. Voltei à mesa de meus amigos e tomei a minha cerveja. Fiquei pensando nela... tomara que "ele" (seja quem ele for) um dia apareça.

Um dia, talvez.




Por MARIA, L.P.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Curiosidades...


" Mas existirá uma razão por que a 'obrigação' e a 'devoção' devem ser inimigas? Quem, que poder, que sujeito determinou que deve ser assim? A curiosidade é a voz do corpo fascinado com o mundo. A curiosidade quer aprender o mundo. A curiosidade jamais tem preguiça! Por amor às crianças - e ao corpo - não seria possível pensar que o nosso dever primeiro seria satisfazer a curiosidade original, curiosidade que faz com que a aprendizagem do mundo seja um prazer?"


Rubem Alves, em Fomos maus Alunos.


Amigos, se fomos maus alunos, a sorte foi a nossa!



Por MARIA, L.P.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Deu um branco na psicologia?




Como fica a questão das raças no contexto de discriminação que o Brasil apresenta? E o papel da psicologia perante a esses desafios? Este é o tema do IHU Idéias desta quinta-feira, 6. A psicóloga Débora Bauermann e a graduanda em história, Letícia Pereira Maria ministram a palestra “Deu um branco na psicologia? Relações étnicorraciais como desafio à psicologia”. A atividade acontece na Sala Ignácio Ellacuria e Companheiros, das 17h30 às 19h.

A partir da temática de seu trabalho de conclusão de curso, Débora questiona o “silêncio” que existe nas discussões sobre discriminação entre raças. A psicóloga, que faz parte da equipe de Ação Social da Unisinos, na Área do Pluralismo Cultural e das Relações Étnicorraciais, também traz à tona o conceito de branquitude dentro da sociedade atual.
Letícia, que também compõe a equipe,no projeto “Memória Histórica e construção da identindade negra e da cidadania em afrobrasileiros em São Leopoldo”, coordenado pela Profa. MS Adevanir Aparecida Pinheiro e pelo Prof. Dr. José Ivo Follmann. A acadêmica traz para a discussão suas experiência dentro da pesquisa, principalmente sobre a visão do sujeito negro no município.



Vamos participar gurizada...
Pensar, refletir e discutir!!

Por MARIA, L.P.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Amenidades...

Naquele dia, ela pulou da cama cedo. Despertou-se ansiosa, decidida "é hoje!". Levantou-se, escolheu a melhor roupa, ajeitou o cabelo, pintou os lábios. Os olhos! Era um dia decisivo, precisava pintar os olhos, apresentar-se como uma mulher marcante.

Saiu de casa.
Andava rápido. Feliz. Afinal, havia decidido que naquela manhã diria a ele tudo o que sentia... Seus sentimentos, desejos, emoções. Diria tudo! Aquela manhã tinha tudo para ser especial.

Entrou... e, finalmente falou com ele.

"Hum... ahmm... eu... quero... três cacetinhos"
Seria possível?! Havia esperado tanto tempo, e isso era tudo o que ela era capaz de dizer a ele?

"Mais alguma coisa?"
"200g de queijo"
"Pronto. É só passar no caixa."

Decepcionada, com vontade de morrer, pois não conseguira dizer nada do que havia planejado, só as mesmas amenidades cotidianas, quando escuta ele chamar.

"Moça! As suas chaves!"

De cabeça baixa, pegou as chaves e balançou a cabeça.

"Espera. Ta tudo bem? Tu ta diferente hoje..."

"Nada não, só pintei os meus olhos hoje."

"Ficou bonito."

Sorriu e agradeceu. Pagou suas compras e se foi. Foi apenas mais uma manhã, como outra qualquer. Ela queria dizer tantas coisas, mas o mais importante, consegui... ele a notou.

Talvez outro dia, talvez na manhã seguinte.

Talvez.



Por MARIA, L.P.